A autonomia feminina em tempos de reação
O que une o movimento 4B, os feminismos contemporâneos, o crescimento de discursos red pill e MGTOW e o recrudescimento do backlash não é uma guerra entre sexos. É algo mais profundo: o colapso de um modelo de garantia. Um modelo em que o afeto, o cuidado e a disponibilidade feminina eram dados quase naturais do mundo social. Quando essa garantia começa a falhar, o sistema reage. Leia mais
A calda de vinagre em seu pudim
Às vezes, o que dói não é a ausência de doçura, pois o pudim estava ali: havia cuidado, presença, uma certa promessa de aconchego. Tudo parecia seguir a receita conhecida. Só que algo, quase imperceptível, escorria por cima; ela se misturava ao doce, acompanhava, passava despercebida. Até que, em algum momento, o gosto estranho se impunha e ficava claro que não era o pudim que estava errado, mas aquilo que o cobria desde o início. Leia mais
A ponta do Iceberg
A primeira vez que ouvi falar em atentados em escolas foi em 1999 quando dois estudantes invadiram uma escola em Columbine e atiraram aleatoriamente em seus colegas. Soube esses dias que este foi um dos primeiros massacres em escolas e que o crime foi estimulado pelo desejo de vingança dos jovens, pois eles não eram considerados populares e sofriam bullying. Passei muitos anos considerando que ataques a escolas era devido ao bullying e à negligência parental. Leia mais
A Sobrecarga das Mães: quando o cuidado vira peso solitário
Nos últimos dias, assistimos a uma avalanche de notícias de pais que não assumem a carga de criar seus filhos, que não pagam pensão, que são pais de Instagram, que se vangloriam por acordar cedo e fazer sozinho o café da manhã do seu filho. Estes homens são elogiados por serem bons pais. As mães são questionadas por ter deixado os filhos com os avós para viajarem com seus parceiros, para sair com as amigas, para cuidarem de si, entre tantas outras situações. Será que alguém questiona o pai? Leia mais
Entre a memória e o desejo
"No sé por qué no he vuelto... Quizá porque alguien me dijo hace siglos que no se debía volver a los lugares en los que has sido feliz.” Esta frase do livro La red púrpura, de Carmen Mola, que diz que talvez não devamos voltar aos lugares onde fomos felizes. Essa ideia me deixou pensativa, pois não significa que o lugar tenha mudado, mas porque nós mudamos e porque a felicidade, quando existiu, não estava apenas no espaço, mas num tempo, num corpo e em uma trama de afetos que já não é a mesma. Leia mais
Estudar Fofo ou Estudar Hard? Reflexões sobre a vida do concurseiro
Uns dias atrás, houve uma discussão acalorada no Twitter sobre como se estuda para concurso e algumas pessoas falaram que de nada adianta “estudar fofo”, pois estariam fadadas a não serem aprovadas. Sabemos que passar em um concurso público não é nada fácil, pois exige uma rotina de estudos, disciplina e abnegação enormes do concurseiro, mas o “estudar fofo” me pegou. Leia mais
Ética da Retirada: feminismo, desejo e o preço do amor
Comparar o movimento 4B, surgido na Coreia do Sul, com os feminismos no Ocidente não é apenas comparar pautas. É comparar gestos éticos diante do esgotamento. O que está em jogo não é só o que se reivindica, mas o que se faz quando o laço deixa de caber. Leia mais
Às vezes a gente percebe que a mãe não é só alguém, é um lugar.
A mãe não é só alguém, é também um território afetivo onde começamos a existir e, muitas vezes, continuamos voltando sem perceber. A mãe é um território íntimo que se instala antes mesmo de sabermos falar, e que continua ali quando tudo ao redor já se moveu. Leia mais
O cansaço nosso de cada dia
Quem não acorda cansado que atire a primeira pedra. Parece que há um rolo compressor passando por você que vai se intensificando ao longo dos dias e não há mais como negar ou ignorar a existência do sofrimento psíquico que este cansaço provoca em nossas vidas. Leia mais
O que torna alguém atraente?
Você já observou que há pessoas que entram em um lugar e não precisam dizer nada? Sua presença fala. Não é a roupa, o cabelo ou a pose: é o conforto de estar em sua própria pele e de estar em paz com quem se é. É uma pessoa que tem um brilho silencioso, porém impossível de ignorar. A coisa mais atraente que existe não é o esforço de parecer, mas a leveza de simplesmente ser. Leia mais
Por que os doramas?
Eu comecei a ver doramas pelas histórias de amor rasgado, em que os enamorados passam vários episódios se conhecendo e o beijo é sempre no útimo episódio, prometendo um final feliz. Talvez por se assemelhar com as histórias das princesas da Disney, eu fui vendo um atrás do outro. Com o tempo, porém, o algoritmo começou a me mostrar doramas diferentes e fui percebendo que estas histórias melosas, sustentadas por promessas fáceis e finais felizes, já não me satisfaziam mais. Leia mais
"Tudo não terás"
Há algo profundamente humano nessa frase. “Tudo não terás.” Dita assim, ela soa como castigo, mas talvez seja só um lembrete, pois desejar tudo é, no fundo, desejar o impossível. E é justamente o impossível que move o desejo. Na escuta analítica, o “não ter” não é falta no sentido comum. É o espaço que nos faz buscar, criar, amar e tantas outras possibilidades. Leia mais