Você já observou que há pessoas que entram em um lugar e não precisam dizer nada? Sua presença fala. Não é a roupa, o cabelo ou a pose: é o conforto de estar em sua própria pele e de estar em paz com quem se é. É uma pessoa que tem um brilho silencioso, porém impossível de ignorar.
A coisa mais atraente que existe não é o esforço de parecer, mas a leveza de simplesmente ser.
Uma pessoa que está confortável consigo mesma é muito atraente, pois essa característica não nasce do excesso, mas de um certo descanso psíquico, pois há a possibilidade de existir diante do outro sem a necessidade constante de autocorreção e de vigilância. Há algo de muito vivo e consistente quando o sujeito deixa de pedir permissão para ser como é.
Do ponto de vista psicanalítico, esse conforto aparece quando a relação com a própria falta se torna menos persecutória. Quando o sujeito já não tenta tamponar cada buraco com desempenho, sedução ou aprovação. Ele sabe, ainda que não formule, que não será completo e deixa de lutar contra isso. É aí que a presença ganha densidade: não há esforço excessivo, nem encenação, nem promessa implícita de perfeição.
O que atrai, então, não é a segurança exibida, mas a ausência de pedido, pois há um sujeito que não se oferece como solução para o desejo do outro nem se reduz a objeto de confirmação. Há alguém que sustenta o próprio lugar, com falhas, silêncios e limites e produz um efeito raro: ele não captura, mas convoca. Não seduz pelo brilho, mas pela consistência.
Ser atraente, nesse sentido, não é uma estratégia relacional, mas um modo de estar no mundo. É ocupar o próprio lugar sem se oferecer em excesso, sem se desculpar pela própria existência e sem tentar preencher o outro. Há uma ética aí: a de não se fazer objeto nem promessa. Talvez o que mais atrai o outro seja justamente o que a trai: bancar o próprio desejo.