Neste espaço, falo sobre filmes e séries e minhas elaborações sobre o que tenho visto.
A garota do Armário - Maman a Tort: mamãe está errada?
O fime conta a história de uma garota de 14 anos que precisa fazer um estágio de uma semana antes de começar as aulas do colégio e vai estagiar na seguradora em que a sua mãe trabalha como executiva júnior. Logo no primeiro dia, ela toma ciência do caso de uma imigrante marroquina que teve o seguro de vida de seu marido rejeitado e fica indignada com a indiferença da mãe. No decorrer da semana, investigando este caso, ela descobre uma grande fraude de seguros na qual sua mãe está envolvida. Leia mais
Ângela, a violência e o inconsciente: uma leitura psicanalítica da minissérie da Netflix
A minissérie Ángela tem uma trama envolvente, que mistura suspense psicológico com reviravoltas. Ángela vive numa casa linda, casada com um homem que é bem-sucedido, simpático, respeitado. O tipo de casal que os vizinhos invejam. Ángela é uma mulher que tenta manter as aparências enquanto sofre dentro de casa, pois passa por abusos físicos e psicológicos do marido e teme pela própria vida e segurança das filhas. Mas tudo muda com a chegada de Edu, que desperta seus desejos adormecidos e a esperança de uma nova possibilidade de existir. Leia mais
Mãe só há uma?
Mãe Só Há Uma mergulha nas complexas camadas da identidade, da maternidade e do pertencimento. A trama acompanha Pierre, um adolescente aparentemente comum da periferia paulistana, envolvido com as descobertas típicas da juventude, com música, o desejo e as experimentações de gênero. Essa vida, ainda em construção, sofre uma ruptura radical quando um teste de DNA revela que ele foi roubado na maternidade. A mulher que o criou por 17 anos não é sua mãe biológica. A verdade, ao emergir, não devolve nada intacto: ela inaugura uma perda que se multiplica. Leia mais
O duplo e o abismo em “Nós”, filme de Jordan Peele
Em Nós, o horror não vem de fora, vem do que não tem palavra. Há algo de inquietante no filme Nós (2019) de Jordan Peele. Não apenas o terror que se vê, mas o que se insinua: esse espelho que reflete o que preferiríamos manter nas sombras. O filme de Jordan Peele não fala apenas de uma família perseguida pelos próprios duplos. Ele fala de uma cisão mais antiga, aquela que funda o sujeito. Leia mais
#1 Something in the Rain: quando o amor existe, mas não salva
Something in the Rain é um dorama sul-coreano sobre Jin-ah, uma mulher de 30 e poucos anos, solteira e desiludida, que redescobre o amor ao se apaixonar por Joon-hee, o irmão mais novo de sua melhor amiga, um homem mais jovem e carismático que retorna de anos no exterior, enfrentando juntos tabus sociais sobre a diferença de idade, pressão familiar e assédio no trabalho. Chamar Something in the Rain de dorama é quase injusto. Leia mais
#2 Something in the Rain - Joon-hee: uma exceção que não salva
Em Something in the Rain, Joon-hee não é apenas o par romântico de Jin-ah. Ele é um desvio. Um homem que não encaixa perfeitamente no molde coreano tradicional e é justamente por isso que ele parece possível. Ele é mais novo, viveu fora e não carrega o mesmo peso de adequação. Esses três elementos não são detalhes biográficos: são condições de desejo. A diferença de idade o coloca fora do cronograma rígido que organiza a masculinidade coreana: casar na hora certa, subir profissionalmente, manter compostura emocional, não depender demais de ninguém. Leia mais
#3 Something in the Rain - Jin-ah e a mãe: quando amar se transforma em dívida
Em Something in the Rain, o conflito central não está apenas no amor entre Jin-ah e Joon-hee. Ele se instala, de forma muito mais profunda e devastadora na relação entre Jin-ah e sua mãe. O que se joga nesta relação mãe e filha não é um embate de gerações no sentido banal, mas a transmissão de um mandato feminino. A mãe de Jin-ah não odeia a filha. Ela acredita estar protegendo e é justamente aí que o dano acontece. A mãe opera a partir de uma lógica clara: a de que a vida de uma mulher só é legítima se reconhecida socialmente. Leia mais
O calor, o corpo e o delírio: quando Vento Seco abre a porta do inconsciente
Vento Seco é um filme que faz o desejo transbordar para além da forma. Nele, a fantasia não é fuga: é continuação da realidade. Tudo se mistura: o calor do Centro-Oeste, a aridez da fábrica de fertilizantes, os turnos repetidos, o suor acumulado nos corpos masculinos e os silêncios que pesam mais do que qualquer fala. Leia mais
Admiração, uma verdade dolorosa: reflexões sobre amor, inveja e as pequenas mentiras que sustentam relações.
Geralmente, gosto de intercalar um filme mais “cabeção” com outro mais leve, que me ajude a relaxar. Dias atrás, escolhi um filme sobre o relacionamento de um casal de longa data na expectativa de ser uma comédia romântica que eu tivesse a possibilidade de relaxar. Mas ao longo da trama, percebi que aquele filme não tinha nada de cômico, pois o que era para fazer rir, me deixou pensativa. Leia mais
Undone: entre o fazer e o refazer
Undone se apresenta, à primeira vista, como uma série sobre viagem no tempo. Mas essa é apenas a superfície, talvez a mais sedutora. Undone usa a técnica de animação rotoscópica, onde os atores são filmados e, em seguida, suas performances são desenhadas, criando um estilo visual único que reflete a natureza surreal da história. Leia mais