"No sé por qué no he vuelto... Quizá porque alguien me dijo hace siglos que no se debía volver a los lugares en los que has sido feliz.”
Esta frase do livro La red púrpura, de Carmen Mola, que diz que talvez não devamos voltar aos lugares onde fomos felizes. Essa ideia me deixou pensativa, pois não significa que o lugar tenha mudado, mas porque nós mudamos e porque a felicidade, quando existiu, não estava apenas no espaço, mas num tempo, num corpo e em uma trama de afetos que já não é a mesma.
A psicanálise nunca tratou a felicidade como algo estável ou acumulável. Freud já apontava que a satisfação é sempre parcial, breve e marcada por perdas. A felicidade não se instala; ela acontece e passa. Quando tentamos retomá-la, muitas vezes encontramos apenas o contorno do que não está mais ali.
Voltar aos lugares felizes pode ser uma forma de exigir do presente aquilo que só o passado sustentou. O risco não é a nostalgia, mas a desilusão: perceber que o cenário permanece enquanto o sujeito e seu desejo já se deslocaram. Às vezes, evitar o retorno é um modo silencioso de preservar algo que só existe como memória.
Talvez a felicidade não seja algo a que se retorna, mas algo que se reconhece depois. Não como promessa, mas como marca. Aceitar isso não é desistir da vida; é, talvez, parar de exigir dela aquilo que ela nunca prometeu.
Ficha técnica:
Título: La red púrpura
Autoria: Carmen Mola
Ano de publicação: 2021
País: Espanha
Idioma original: Espanhol
Gênero: Romance policial / thriller criminal
Série: Inspectora Elena Blanco (vol. 2)
Editora (Espanha): Alfaguara
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